Diagnóstico e tratamento do câncer de próstata — Dr. Ricardo H. De Rizzo
Urologia oncológica

Câncer de Próstata em Santo André: Diagnóstico Preciso e Tratamento Individualizado

O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre os homens brasileiros: as estimativas do INCA para o triênio 2026–2028 apontam cerca de 77.920 novos casos por ano, aproximadamente 3 de cada 10 diagnósticos oncológicos masculinos. Ao mesmo tempo, é um dos tumores com melhor prognóstico quando identificado em fase localizada — e um dos poucos em que descobrir nem sempre significa operar. A medicina atual trabalha com uma pergunta mais refinada: este tumor precisa ser tratado agora, e com qual intensidade?

O Dr. Ricardo H. De Rizzo (CRM 193042-SP | RQE 135640), urologista e andrologista, conduz desde a interpretação de um PSA alterado até o planejamento do tratamento, com uma atenção que faz diferença nesse diagnóstico: a preservação da continência urinária e da vida sexual ao longo de todo o processo.

Por que ele é silencioso no início

Na fase inicial, o câncer de próstata não provoca sintomas. Ele costuma crescer na periferia da glândula, longe da uretra — por isso não causa jato fraco nem urgência urinária. Sintomas urinários geralmente indicam hiperplasia benigna, e não câncer.

Quando surgem sinais como dor óssea persistente (coluna, bacia, costelas), sangue na urina ou no sêmen, perda de peso e cansaço importante, a doença normalmente já está avançada. Essa é toda a lógica do diagnóstico precoce: identificar antes de qualquer sintoma.

Quem tem mais risco

Quando começar a investigar

Existe um debate legítimo no Brasil e no mundo: o Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional — chamar todos os homens para exames de rotina —, enquanto a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a SBOC e a SBRT defendem a decisão compartilhada, em que o médico apresenta benefícios e riscos e o paciente participa da escolha.

Na prática, a orientação da SBU é conversar sobre PSA e toque retal:

O risco de "rastrear todo mundo" é o excesso de diagnóstico de tumores que nunca causariam problema. É exatamente por isso que a investigação moderna incorporou ferramentas que separam o tumor relevante do irrelevante antes de qualquer decisão.

Como o diagnóstico é feito hoje

  1. PSA e toque retal: o PSA é um marcador da próstata, não do câncer — pode subir por hiperplasia, prostatite, ciclismo, ejaculação recente ou manipulação. Por isso o valor isolado significa pouco; interessam a evolução ao longo do tempo, a densidade (PSA por volume) e a relação livre/total.
  2. Ressonância magnética multiparamétrica: hoje realizada antes da biópsia. O laudo classifica as lesões em PI-RADS de 1 a 5, indicando a probabilidade de câncer clinicamente significativo. Reduz biópsias desnecessárias e aumenta a detecção dos tumores que realmente importam.
  3. Biópsia dirigida: guiada pela fusão das imagens de ressonância com o ultrassom e, preferencialmente, por via transperineal, que reduz de forma expressiva o risco de infecção grave em comparação com a via transretal.
  4. Escore de Gleason e grupo ISUP (1 a 5): traduz o quanto o tumor se afasta do tecido normal e é o principal indicador de agressividade.
  5. Estadiamento: em tumores de risco intermediário desfavorável ou alto risco, com PET-CT com PSMA, cintilografia óssea e tomografia, conforme o caso.

Ao final, o paciente é classificado em risco baixo, intermediário (favorável ou desfavorável) ou alto — e é essa classificação, somada à idade, às comorbidades e às prioridades pessoais, que define a conduta.

Opções de tratamento

  1. Vigilância ativa: para tumores de baixo risco. Não é "não fazer nada": é um protocolo de acompanhamento com PSA seriado, ressonância e biópsias programadas, que posterga ou evita o tratamento e seus efeitos colaterais, mantendo a segurança oncológica. Se houver progressão, parte-se para o tratamento curativo.
  2. Prostatectomia radical: retirada da próstata e das vesículas seminais, com preservação dos feixes neurovasculares sempre que a doença permitir. Realizada preferencialmente por via robótica, que oferece visão tridimensional ampliada e dissecção mais precisa, com menor sangramento e recuperação mais rápida.
  3. Radioterapia: externa (com esquemas hipofracionados) ou braquiterapia, isolada ou associada a bloqueio hormonal por tempo definido conforme o risco. Resultados oncológicos comparáveis à cirurgia em doença localizada, com perfil de efeitos colaterais diferente.
  4. Terapia focal (HIFU, crioterapia): tratamento apenas da área doente, em casos bem selecionados e dentro de critérios rigorosos.
  5. Doença avançada ou metastática: bloqueio hormonal, novos agentes hormonais, quimioterapia, radioligantes e inibidores de PARP nos casos com alteração genética, sempre em conjunto com a oncologia clínica.

Continência e vida sexual: parte do tratamento, não um detalhe

Os dois efeitos mais temidos do tratamento — perda de urina e disfunção erétil — têm caminhos de recuperação que precisam ser trabalhados desde antes da cirurgia:

Esse é o ponto em que a formação em andrologia muda a experiência do paciente: o mesmo especialista que trata o câncer conduz a recuperação da vida sexual.

Dúvidas frequentes

Não. A maioria dos PSAs elevados tem causas benignas — hiperplasia, prostatite, atividade física intensa, ejaculação recente. O que orienta a conduta é a análise do conjunto: valor, evolução, exame físico e, quando indicada, a ressonância.
Ele continua sendo parte da avaliação: identifica nódulos e alterações de consistência que o PSA pode não revelar. É rápido, dura segundos e ainda muda condutas.
Não. Tumores de baixo risco frequentemente entram em vigilância ativa, e a radioterapia é alternativa curativa em muitos casos. A cirurgia é uma das opções, não a única.
Não é o desfecho esperado. A maioria dos homens recupera a continência nos primeiros meses, e a função erétil melhora progressivamente ao longo de até 12 a 24 meses, especialmente quando a preservação dos nervos foi possível e a reabilitação é iniciada cedo.
Não. Esse é um mito antigo; não há evidência de disseminação por conta da biópsia.
Antecipe a conversa sobre diagnóstico precoce para os 45 anos. Em famílias com múltiplos casos, ou com câncer de mama e ovário associados, também vale discutir aconselhamento genético.

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