Cálculo Renal em Santo André: da Cólica ao Tratamento Definitivo
A pedra nos rins (cálculo renal ou urinário) é uma das causas mais frequentes de dor abdominal aguda e atinge cerca de 1 em cada 10 pessoas ao longo da vida, com predomínio em homens entre 30 e 50 anos. O problema não termina quando a dor passa: sem investigação da causa, metade dos pacientes forma um novo cálculo em até 5 anos. Tratar a crise é apenas o primeiro passo — o objetivo real é eliminar o cálculo e impedir que ele volte.
O Dr. Ricardo H. De Rizzo (CRM 193042-SP | RQE 135640), urologista e andrologista, conduz o tratamento do cálculo urinário em suas duas frentes: a resolução do cálculo atual, com a técnica menos invasiva possível para cada caso, e a investigação metabólica que previne novas crises. O consultório fica na Av. Portugal, 1285, 3° andar, Centro, Santo André — SP.
Por que o cálculo se forma
A urina carrega sais e minerais dissolvidos. Quando ela fica muito concentrada — ou quando faltam substâncias que inibem a cristalização, como o citrato — esses sais se agrupam e formam cristais que crescem até virar um cálculo. Os principais fatores são:
- Baixa ingestão de água, o fator isolado mais importante e o mais fácil de corrigir
- Excesso de sal, que aumenta a perda de cálcio na urina
- Dieta rica em proteína animal e em alimentos com muito oxalato
- Obesidade, diabetes e síndrome metabólica
- História familiar e doenças específicas (hiperparatireoidismo, acidose tubular renal, gota, doenças intestinais)
- Infecções urinárias de repetição, ligadas aos cálculos de estruvita, que podem crescer muito
Tipos de cálculo — e por que isso muda o tratamento
- Oxalato de cálcio: cerca de 70% a 80% dos casos. São duros e não se dissolvem com remédio.
- Ácido úrico: associados a urina ácida, gota, obesidade e diabetes. São os únicos que podem dissolver com tratamento clínico, por meio da alcalinização da urina.
- Estruvita (infecciosos): ligados a bactérias produtoras de urease; crescem rápido e podem ocupar todo o rim (cálculo coraliforme).
- Cistina: de origem genética, começam cedo na vida e recidivam com frequência.
Por isso o cálculo eliminado deve ser guardado e enviado para análise de composição: é essa informação que direciona a prevenção.
Sintomas: como reconhecer uma cólica renal
A dor típica surge de forma súbita na região lombar ou no flanco, em ondas de intensidade forte, e pode irradiar para a virilha e para os testículos. Costuma vir acompanhada de:
- Náusea e vômito
- Sangue na urina, visível ou detectado apenas no exame
- Vontade urgente e frequente de urinar, quando o cálculo está próximo à bexiga
- Inquietação — a pessoa não encontra posição de alívio, diferente do que ocorre na dor muscular
Cálculos parados dentro do rim podem ser completamente silenciosos e aparecer só em exames de rotina.
Quando procurar atendimento de urgência
Alguns sinais indicam obstrução com risco para o rim ou infecção grave e exigem avaliação imediata:
- Febre e calafrios junto com a dor, suspeita de infecção urinária obstruída — situação de emergência
- Dor que não cede com a medicação
- Vômitos persistentes, sem conseguir se hidratar
- Parar de urinar ou volume urinário muito reduzido
- Paciente com rim único, transplantado ou com doença renal crônica
Como é feito o diagnóstico
- Tomografia computadorizada de abdome sem contraste: exame de referência. Identifica praticamente todos os cálculos e informa tamanho, localização, densidade e distância da pele, dados que definem qual tratamento tem mais chance de sucesso.
- Ultrassom: primeira escolha em gestantes, crianças e no acompanhamento, por não usar radiação.
- Exames de sangue e urina: função renal, urina tipo I e urocultura, para afastar infecção associada.
- Avaliação metabólica (urina de 24 horas, cálcio, ácido úrico, citrato, paratormônio): indicada para quem já teve cálculos repetidos, cálculo bilateral, início precoce, rim único ou história familiar.
Opções de tratamento
- Tratamento clínico e expulsivo: indicado para cálculos pequenos, em geral até 5 a 6 mm, que têm boa chance de sair espontaneamente. Combina hidratação, analgesia adequada e, em casos selecionados, medicação que relaxa o ureter para facilitar a passagem, com acompanhamento por imagem.
- LECO — litotripsia extracorpórea por ondas de choque: as ondas são geradas fora do corpo e fragmentam o cálculo, que é eliminado na urina. Sem cortes e sem instrumentos dentro do corpo; melhor indicação para cálculos menores, de densidade mais baixa e bem posicionados.
- Ureteroscopia com laser (semirrígida ou flexível): o acesso é feito pelo canal urinário, sem nenhum corte. Uma câmera fina chega até o cálculo e o laser o pulveriza. É a técnica que atinge as maiores taxas de rim livre de cálculo em uma única sessão e trata cálculos duros em qualquer parte do ureter e do rim. Costuma exigir a permanência temporária de um cateter duplo J.
- Nefrolitotomia percutânea: para cálculos grandes, acima de 2 cm, ou coraliformes. O acesso ao rim é feito por uma punção de cerca de 1 cm na região lombar, permitindo retirar grande volume de cálculo em um único procedimento.
- Cirurgia laparoscópica ou robótica: reservada a situações anatômicas específicas, como estenose de junção associada, divertículos e rins ectópicos.
A escolha não é uma questão de preferência: depende do tamanho, da dureza, da localização, da anatomia do paciente, da função renal e da presença de infecção.
O cateter duplo J: o que esperar
É um tubo fino e flexível colocado entre o rim e a bexiga para garantir a drenagem da urina. Ele pode causar sensação de peso na região lombar, urgência urinária, ardência ao urinar e um pouco de sangue na urina — sintomas incômodos, porém temporários e controláveis com medicação. A retirada é rápida, feita por via endoscópica, e o cateter tem prazo definido para sair: nunca deve ser esquecido.
Prevenção: como não formar novos cálculos
- Água em quantidade suficiente para produzir cerca de 2,5 litros de urina por dia. A medida prática é manter a urina sempre clara.
- Reduzir o sal (embutidos, congelados, temperos prontos): menos sódio significa menos cálcio perdido na urina.
- Não cortar o cálcio da dieta. É um dos erros mais comuns. O cálcio das refeições se liga ao oxalato no intestino e reduz sua absorção — retirá-lo pode aumentar o risco de novas pedras.
- Moderar proteína animal e alimentos muito ricos em oxalato (espinafre, beterraba, castanhas, chocolate, chá preto), sem necessidade de dietas radicais.
- Citrato (citrato de potássio ou limonada sem açúcar), que inibe a formação de cristais.
- Medicações específicas conforme a alteração encontrada: diurético tiazídico na hipercalciúria, alopurinol e alcalinizantes nos cálculos de ácido úrico.
- Controle de peso e do diabetes, que reduz a acidez da urina e o risco de recidiva.
Dúvidas frequentes
Já teve cólica renal mais de uma vez?
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