Câncer de Bexiga em Santo André: Sangue na Urina Merece Investigação
Existe um sinal que resume quase toda a história do câncer de bexiga: sangue na urina sem dor. Ele aparece uma vez, assusta, e some sozinho alguns dias depois — e é justamente esse desaparecimento que faz muita gente adiar a consulta. O sangue parar não significa que o problema acabou. As estimativas do INCA para 2026–2028 apontam cerca de 9 mil novos casos por ano em homens no Brasil, e o diagnóstico precoce é o que permite tratar preservando a bexiga.
O Dr. Ricardo H. De Rizzo (CRM 193042-SP | RQE 135640), urologista e andrologista, conduz a investigação da hematúria e o acompanhamento dos tumores vesicais — uma doença que exige seguimento organizado e de longo prazo, porque tem alta tendência a recidivar.
O sinal principal: hematúria indolor
- Hematúria macroscópica: urina avermelhada, rosada ou escurecida, tipicamente sem dor
- Hematúria microscópica: sangue detectado apenas no exame de urina, sem alteração visível
- Sintomas irritativos persistentes: urgência, aumento da frequência e ardência ao urinar sem infecção comprovada, quadro que pode indicar carcinoma in situ
Nem toda hematúria é câncer — infecção urinária, cálculo e hiperplasia prostática são causas frequentes. Mas em homens acima de 50 anos, tabagistas ou ex-tabagistas, um único episódio de sangue na urina já justifica investigação completa.
Fatores de risco
- Tabagismo: o principal deles, associado a 50% a 70% dos casos em homens. As substâncias cancerígenas do cigarro são filtradas pelos rins e ficam em contato prolongado com a parede da bexiga
- Exposição ocupacional a aminas aromáticas: indústrias de tintas, borracha, couro, têxtil, petroquímica, além de cabeleireiros e metalurgia. O intervalo entre exposição e doença pode passar de 20 anos
- Quimioterapia prévia com ciclofosfamida e radioterapia pélvica anterior
- Infecções urinárias crônicas, cateter vesical de longa permanência e esquistossomose, associada ao carcinoma epidermoide
- Idade acima de 60 anos e sexo masculino, com incidência cerca de 4 vezes maior em homens
Como é feito o diagnóstico
- Cistoscopia: exame que visualiza o interior da bexiga com uma câmera fina introduzida pela uretra. É o exame de referência — nenhum outro método substitui a visualização direta
- Citologia urinária: pesquisa de células tumorais na urina, especialmente útil nos tumores de alto grau e no carcinoma in situ
- Uro-TC: tomografia com fase excretora, que avalia rins e ureteres, já que o mesmo tipo de tecido reveste todo o trato urinário
- RTU de bexiga (ressecção transuretral): é diagnóstica e terapêutica ao mesmo tempo. Remove a lesão pelo canal urinário e fornece a amostra que define grau e profundidade de invasão. A presença de camada muscular no material é indispensável para o estadiamento correto
- Ressonância magnética: auxilia a avaliar se há invasão da camada muscular antes da decisão terapêutica
A divisão que define tudo: invade o músculo ou não?
- Não músculo-invasivo (Ta, T1, carcinoma in situ): cerca de 75% dos casos. O tratamento é feito preservando a bexiga, mas exige vigilância prolongada
- Músculo-invasivo (T2 ou mais): cerca de 25%. Exige tratamento mais agressivo e multidisciplinar
Tratamento do tumor não músculo-invasivo
- RTU completa da lesão, seguida em casos selecionados de instilação precoce de quimioterápico dentro da bexiga, que reduz a recidiva.
- Re-RTU em 4 a 6 semanas: indicada em ressecções incompletas, tumores volumosos, múltiplos, T1 ou quando a amostra não continha músculo.
- BCG intravesical: para tumores de risco intermediário e alto. O BCG é uma imunoterapia — instilado dentro da bexiga, provoca uma resposta imune local que combate as células tumorais. O esquema padrão inclui indução de 6 semanas e manutenção por 1 a 3 anos.
- Seguimento com cistoscopias periódicas: a recidiva pode chegar a 50% a 70% em alguns perfis, e o rastreamento contínuo é o que permite tratar cedo cada nova lesão.
- Quando há falha do BCG, discutem-se opções de resgate ou a cistectomia.
Tratamento do tumor músculo-invasivo
- Quimioterapia neoadjuvante à base de cisplatina: realizada antes da cirurgia em pacientes elegíveis, com ganho comprovado de sobrevida.
- Cistectomia radical com linfadenectomia: retirada da bexiga e, no homem, da próstata e das vesículas seminais, por via aberta ou robótica, com reconstrução do trânsito urinário — conduto ileal, com bolsa externa, ou neobexiga ortotópica, construída com intestino, que permite urinar pela uretra em pacientes selecionados.
- Preservação vesical trimodal: RTU máxima associada a quimioterapia e radioterapia, alternativa para casos bem escolhidos ou para quem não tem condições cirúrgicas.
- Doença avançada: imunoterapia, conjugados anticorpo-droga e terapias-alvo ampliaram bastante as opções nos últimos anos.
Parar de fumar faz parte do tratamento
Não se trata apenas de prevenção: manter o cigarro após o diagnóstico aumenta o risco de recidiva e de progressão e piora a resposta ao tratamento. A cessação do tabagismo é uma das intervenções com maior impacto no prognóstico — e deve ser tratada com o mesmo empenho que a parte cirúrgica. Hidratação adequada e proteção contra exposições químicas ocupacionais completam a orientação.
Dúvidas frequentes
Sangue na urina não é para deixar para depois
Agende uma avaliação para investigar a causa com os exames adequados.
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